091. HEES, Martha Pereira das Neves. Frequência ao Programa de Ampliação da Educação Pré-escolar -
PAEPE - e rendimento na 1ª série do 1º grau. Niterói: FE-UFF, 151p. Diss. Mestrado. Orientador: Célia de
Castro.
O presente estudo tem início com o conceito de pré-escolar desenvolvendo a seguir um histórico da educação de crianças
dessa faixa etária e, após, faz o enfoque da problemática decorrente da realidade do Brasil e do mundo no momento atual,
considerando a legislação brasileira e as normas existentes no país.
O trabalho analisa se a frequência de alunos submetidos a um programa não convencional, no caso específico, ao PAEPE,
melhora seu desempenho na aprendizagem do Português e da Matemática na 1a. série do 1o. grau e compara esses alunos
com outros dois grupos: os que frequentaram jardins de infância e aqueles sem escolaridade.
Realizou-se uma pesquisa de campo onde o instrumento de avaliação foi um teste de Português e outro de Matemática. As
variáveis independentes foram: idade; frequência ao PAEPE e ao jardim de infância (75%); carência
sócio-econômica-familiar; nível de instrução do pai e da mãe; tipo de profissão do pai e da mãe. A variável dependente foi o
desempenho nos testes de Português e de Matemática.
Os resultados indicam que não há diferença significativa entre os obtidos pelas crianças do PAEPE e do jardim de infância.
No entanto, estes resultados são superiores aos das crianças sem escolaridade.
092. IMENES, Luiz Márcio Pereira. Um estudo sobre o fracasso do ensino e da aprendizagem da matemática. Rio
Claro:IGCE-UNESP, 1989. 326p. Diss. Mestrado. Orientador: Maria Aparecida Viggiani Bicudo.
Esta pesquisa tem por objetivo estudar o facasso do ensino de matemática. Ela procura relacionar o fracasso com o modelo
formal euclidiano de apresentação de matemática. Para tanto enfocou a formação matemática do próprio autor, a
apresentação da matemática nos livros didáticos (caracterizando assim o modelo euclidiano que a inspira), a compreensão
que os professores de matemática têm da mesma e os sentimentos das pessoas em relação à matemática.
Esse estudo foi desenvolvido segundo a modalidade da pesquisa qualitativa, contextualiando o fenômeno investigado.
Procurou analisar os indivíduos exemplificando as situações vividas, interpretando-as, buscou captar os seus invariantes.
Assim, a análise da formação matemática do autor evidencia a transformação de sua compreensão da matemática e as
relações entre essa transformação e sua postura como professor.
Da análise dos livros didáticos o trabalho destaca esses aspectos significativos: o modelo euclidiano molda o ensino de
matemática; a concepção platônica da matemática, que resulta dele, permaneceu intocada apesar de todas as mudanças por
que passou o ensino de matemática; a formalização esconde o processo de construção da matemática, ocultando a gênese e
evolução das idéias matemáticas.
A análise da compreensão que os professores têm da matemática evidencia a dificuldade dos mesmos em perceber que as
idéias matemáticas sofreram transformações, as consequências que isso tem em sua ação pedagógica, particularmente no que
toca ao dogmatismo e autoritarismo do professor de matemática.
Com relação aos sentimentos das pessoas sobre suas experiências com a matemática escolar, a análise evidencia esses
aspectos significativos: para a maioria das pessoas essa experiência foi frustrante e suas queixas relacionam-se com as
consequências da concepção platônica da matemática e com a postura dogmática e autoritária de seus professores.
Relacionando os invariantes apontados a pesquisa mostra a estreita vinculação existente entre o modelo formal de
apresentação da matemática e o fracasso do ensino de matemática.
Finalizando, observa que a ruptura necessária com a formalização, enquanto modelo para a apresentação da matemática
escolar, nada tem a ver com qualquer proposta absurda de abandono do racicínio dedutivo no ensino de matemática e faz
notar ainda que as considerações apresentadas não dizem respeito à formalização na ciência matemática.
093. KALTER, Regina Sommer de. A geometria e o desenho geométrico no ensino de 1º grau em Curitiba:
contribuições para uma proposta de integração de conteúdos curriculares. Curitiba:UFPr, 1986. Diss. Mestrado.
Orientador: Luiz Gonzaga Caleffe.
Este estudo tem como objetivos: (1) investigar as contribuições do retorno da disciplina de Desenho Geométrico ao currículo
das séries terminais do 1o. grau e (2) estudar a revitalização da Geometria como mais um agente facilitador do
desenvolvimento cognitivo da criança e do adolescente.
O estudo bibliogrático trata da importância do estudo da Geometria para o desenvolvimento das estruturas cognitivas. Com
apoio em Bruner, destaca, entre outros aspectos, a relevância do currículo em espiral.
A investigação exploratória consistiu de: 1. um teste de Geometria apalicado a 136 alunos de 8a. série de 6 escolas de
Curitiba com o intuito de comparar os rendimentos entre aqueles alunos que tiveram e aqueles que não tiveram a
oportunidade de estudar Desenho Geométrico; 2. um questionário (com questões abertas e fechadas), aplicado a 14
professores das mesmas escolas, com o objetivo de coletar opiniões sobre a importância do Desenho Geométrico e da
Geometria.
Os resultados mostraram que os alunos das escolas que ofereceram Desenho Geométrico apresentaram um desempenho
significativamente melhor que os outros. Os professores, por outro lado, opinaram que o Desenho Geométrico "concretiza os
conteúdos abstratos" da Geometria e as duas disciplinas se completam.
A autora sugera que o Desenho Geométrico retorne como disciplina obrigatória no currículo das séries terminais do 1o. grau.
Recomenda que os conteúdos de Geometria sejam revitalizados tendo em vista uma possível integração com Desenho
Geométrico. (Resumo elaborado por Dario Fiorentini)
094. KLUSENER, Renita. Uma reflexão sobre a prática dos professores e compro misso pedagógico-social com o
ensino da matemática. Porto Alegre:FE-UFRGS, 1988. 95p. Diss. Mestrado. Orientador: Marilu de Medeiros.
Tendo como ponto de partida a análise e o questionamento da práxis do professor de matemática em exercício, busquei, com
isso, os pontos determinantes de sua insatisfação, bem como das perspectivas de superação. Através de um trabalho de
pesquisa participante com seis professores de matemática que atuam em escolas de 1o. e 2o. Graus de Porto Alegre e
Viamão, tentei aprender como o ensino de matemática vem sendo abordado na prática de sala de aula, como este ensino
vem sendo questionado e, principalmente, como vem sendo objeto de reflexão pelos professores.
Na medida em que este professor questiona e reflete sobre a sua realidade, chega a contradições que o levam a um processo
de conscientização, passando de um nível mais ingênuo para um nível mais crítico e que varia de um professor a outro,
dimensionando um tempo relativo.
Neste processo de ampliação da consciência, o professor busca a superação de suas insatisfações através de uma melhoria e
valorização individual, com reflexos no grupo, gerando, como consequência, quase sempre, uma satisfação na sua atividade,
e que por sua vez, gera uma melhoria na prática pedagógica da sala de aula e mesmo fora dele. Além disso, o professor
busca assumir uma postura mais política-pedagógica, tornando-o mais compromissado para com a educação.
Mas, ao nível prático, o testemunho destes professores mostra a busca da superação de suas insatisfações, através de
propostas de transformação que conjuquem uma praxis técnico-pedagógica e política, envolvendo atividades que articulam a
escola, o professor e, a Universidade, quando esta sai de seus muros e assume seu compromisso social, fazendo com que o
Estado assuma o seu compromisso e o seu dever.
095. KRAUSE, Décio. O mundo 3 da matemática: existência, objetividade e comprensão na formação da
metodologia e currículo. Curitiba:UFPr, 1983. 123p. Diss. Mestrado. Orientador: José Alberto Pedra.
Abrir horizontes para investigar o mundo das formalizações que foi considerado o universo da matemática através de
caminhos que não utilizem o procedimento formal mas que explorem o potencial imanente das transformações que são
impostas pela matemática quando vista objetiva-mente como um objeto do mundo 3 popperiano e usado o ponto de vista
formal sobre a natureza da matemática de Jean Ladriere para estabelecer-se o dito universo de formalizações e de aplicações
da matemática feitas por Immre Lakatos das teorias da ciência de Popper. Ao final colocam-se questões que possam auxiliar
o ensino e a aprendizagem da matemática.
096. KRÖNING, Dulce. Estratégias de ensino para diminuir deficiências estruturais de experiências matemáticas
do ensino de primeiro grau - uma proposta para acionar mecanismos de recuperação em matemática no ensino de
segundo grau. Santa Maria (RS):Centro Latino Americano de Educação - UFSM, 1977. 116p. Diss. Mestrado.
Orientador: Ladyr A. da Silveira e Zaira Napoleão.
O estudo pretende verificar a influência do emprego de mecanismos de instrução individualizada na recuperação de
deficiências matemáticas básicas relativas ao ensino de 1o. grau na 1a. série do ensino de 2o. grau.
O trabalho foi organizado em duas etapas. Na primeira etapa foi realizada sondagem para constatar deficiências estruturais
em Matemática relativas ao ensino de 1o. grau. A segunda etapa constituiu-se de uma pesquisa experimental com a finalidade
de verificar o resultado da aplicação de mecanismos individuais de recuperação - o estudo através de fichas - no sentido de
diminuir as deficiências constatadas. Resultados: na primeira etapa, foi constatada a existência de um expressivo número de
alunos (59,16%) com deficiências em matemática. Na segunda etapa foi constatado que de uma situação arbitrada como
deficiente passou para uma situação arbitrada como eficiente, segundo padrões de comparação.
Conclusões: os estudos de recuperação oferecidos a alunos de 1a. série do 2o. grau possibilitaram um rendimento na
aprendizagem das noções básicas matemáticas relativas ao ensino de 1o. grau. Conclui ainda que as deficiências estruturais
de experiências matemáticas relativas ao ensino do 1o. grau foram diminuidas. São apresentadas, no final, sugestões de como
atender deficiências individuais de aprendizagem dos alunos. (Resumo elaborado por Corinta Geraldi).
097. LAMPARELLI, Lydia Condé. Um estudo sobre a qualidade do conhecimento específico dos candidatos ao
cargo de professor efetivo de matemática na rede estadual de ensino público do Estado de São Paulo. São
Paulo:FE-USP, 1984. 96p. (+58p.), Diss. Mestrado. Orientador: Myrian Krasilchik.
O trabalho desenvolve um estudo sobre a qualidade do conhecimento específico dos licenciados em Matemática. O objetivo
é localizar, nomear e qualificar as deficiências existentes na formação específica dos profissionais supracitados oferencendo
hipóteses explicativas para a ocorrência das mesmas. Para isso o autor analisa as respostas dadas às questões
analítico-expositivas que constaram da prova específica do concurso para provimento de cargos de professor de Matemática
do magistério oficial do Estado de São Paulo realizado no segundo semestre de 1978. A fim de obter padrões gerais de
descrição cada questão é submetida a uma grade de análise que permite classificar as respostas dadas. Para chegar a síntese
final o autor extrapola o domínio das características singulares de cada questão estabelecendo três categorias que refletem as
principais deficiências detectadas: a) má formação dos conceitos matemáticos; b) domínio e disponibilidade deficiente da
sintaxe que rege a linguagem matemática; c) desconhecimento dos processos lógicos que validam um argumento. As
hipóteses explicativas se concentram no desenvolvimento fragmentado do curriculo do curso de Licenciatura em Matemática
através do qual os resultados dessa ciência são apresentados desligados dos seus contextos de produção impedindo o
acesso a uma verdadeira formação científica.
098. LAUAND, Luiz Jean. O ensino da Geometria Analítica Plana da 3ª série do 2º grau: subsídios para um
estudo comparativo de dois enfoques. São Paulo:FE-USP, 1981, 155p. Diss. Mestrado. Orientador: Ruy Nunes.
Este estudo parte da constação da existência - a nível teórico - de dois enfoques para a abordagem da "Geometria Analítica
Plana" (GAP): o CLÁSSICO, que parte das coordenadas do ponto para estabelecer a equação da reta e toda a GAP; e o
VETORIAL, que parte do conceito de vetor e das estruturas algébricas.
Apesar de um número razoável de matemáticos e educadores matemáticos recomendarem, para o ensino de 2º grau, o
enfoque vetorial, as escolas de São Paulo continuam a ensinar a GAP pelo enfoque clássico. No Rio de Janeiro, o enfoque
vetorial já pode ser encontrado em algumas escolas. Por trás da controvérsia, porém, o autor não encontra razões
pedagógicas claras e bem fundamentadas quanto a preferência por um ou outro enfoque.
Em face dessa problemática propõe-se, então, neste trabalho, a: (1) oferecer subsídios para um estudo comparativo entre os
dois enfoques; (2) analisar e discutir esses enfoques; (3) identificar - sem os exageros do Movimento Modernista - o real
valor pedagógico do ensino da "G.A.P." sob o enfoque vetorial. Tendo em vista estes objetivos o autor realiza um estudo
bibliográfico focando aspectos pertinentes a "Filosofia da Educação Matemática" tais como os fins, os valores e os objetivos
pedagógicos subjacentes aos dois enfoques. Ao longo do trabalho o autor apresenta e discute os pontos de vista culturalista e
formalista, regeitando-os em favor de uma concepção que lhe parece mais aceitável. No seio dessa discussão esboça uma
crica à "Matemática Moderna".
Em suas conclusões e sugestões, aponta para a necessidade da realização de estudos e pesquisas, a nível da sala de aula,
sobre a aplicação do enfoque vetorial para o ensino da "GAP" no 2º grau, uma vez que este enfoque parece realizar melhor
os valores da Educação Matemática. (Resumo elaborado por Dario Fiorentini)
099. LEÃO, Maria de Lourdes Meireles Carneiro. Proporção: escolarização e formas de raciocínio em diferentes
contextos. Recife:UFPE-Psic. Cognitiva, 1986. Diss. Mestrado.
Face à dificuldade encontrada entre os alunos das nossas escolas na aprendizagem de conceitos básicos de matemática e de
sua utilização na vida prática, este estudo teve como objetivo a investigação do conceito de proporção, de grande
importância tanto para a ciência como para a vida diária, considerando-o em termos de sua compreensão em problemas
escolares como em problemas diferentes dos escolares.
Participaram como sujeitos 159 estudantes da 5ª e 6ª séries e 173 estudantes da 7ª e 8ª séries (de 3 escolas particulares e de
3 escolas públicas). Estes sujeitos foram submetidos às tarefas dos Clips de Papel (Karplus, 1979), do Suco de Laranja
(Noelting, 1980) e a uma tarefa contendo problemas escolares denominada Problemas Formais.
Os resultados indicam que as estruturas cognitivas iniciais referentes ao conceito de proporção parecem ser universais, porém
sofrem na sua evolução e na sua aplicação a influência de fatores como isntrução escolar e tipo de tarefa. A classificação
utilizada por Piaget para explicar o desenvolvimento cognitivo parece não ser suficiente para explicar a evolução do referido
conceito uma vez que encontramos respostas que não podem ser colocadas dentro dos padrões piagetianos.
Finaliza concluindo que a escola precisa repensar o ensino da proporção considerando a sequência natural do seu
desenvolvimento e de suas dificuldades, a fim de desenvolver uma metodologia de ensino que facilite o seu aprendizado,
como também a transferência desta aprendizagem da sala de aula para situações diferentes das escolares.
100. LEITE, Lígia Maria Costa. A magia dos invencíveis. Rio de Janeiro:IESAE- FGV, 1987. Diss. Mestrado.
Orientador: Carlos Menayo Gomes.
Partindo da constatação de que o sistema econômico e social brasileiro apresenta uma anomalia ao propor em leis e planos
de desenvolvimento a não-inclusão do negro com sua cultura e valores diferenciados no projeto global da nação, pretende
refletir sobre alguns pontos da Escola Tia Ciata, uma escola da rede do município do Rio de Janeiro que objetiva
basicamente alfabetizar adolescentes e jovens adultos, entre 12 e 20 anos, rejeitados pela escola regular, dando-lhes
condições de se profissionalizar numa sociedade letrada, ao aprender a ler, escrever e contar. Inicialmente procura
caracterizar os invencíveis como educandos, destacando suas fontes históricas, suas ações e reações diante da vida que se
lhes apresenta. A seguir, descreve a Escola Imaginãria, tal como foi pensada para enfrentar o problema, focalizando suas
inovações básicas, sua forma de abordar o aluno que se pretende educar e a possibilidade de intervenção na rede pública
esolar, de modo a abrir a perspectiva de transformação do quadro educacional atual.